quinta-feira, 28 de junho de 2018

CANTO XVI


PARAÍSO

Canto XVI


O Canto inicia com uma invocação à “nobreza de sangue” (nobiltà di sangue- v.1). O poeta  afirma que doravante não vai mais se surpreender quando as pessoas aqui na Terra se vangloriarem dela, pois ele próprio, no Céu, se ufanou de sua estirpe (após saber sobre Cacciaguida). 

        Na sequência, os versos, ainda dirigindo-se a essa nobreza de sangue, personificada, e numa metáfora que a associa a um manto, salientam o fato de que, à medida que o tempo passa, ela tende a se reduzir, se não ocorrerem novos motivos que a reforcem:

Ben se’ tu manto che tosto raccorce:
sì che, se non s’appon di dì in die,
lo tempo va dintorno con le force.      (v.7-9)

És um manto que se encurta logo:/ de modo que, se não for alongado dia a dia,/ o tempo utiliza sua tesoura.

            Dante diz que usará doravante o “vós” (voi- v. 10) em suas palavras. Esse é um pronome mais cerimonioso do que o “tu” (seu uso pelos romanos, hoje abandonado, teria se iniciado com o tratamento dado por eles a Júlio César). Decorre da tomada de consciência, pelo poeta, da sua nobre linhagem, o que provoca um sorriso irônico de Beatriz, “sorriu, parecendo aquela que tossiu/ à primeira falta narrada de Ginevra” (ridendo, parve quella che tossio/ al primo fallo scritto di Ginevra-  v.14-15). Ela é comparada assim à dama que tossiu para anunciar sua presença, no momento em que a rainha Guinevere cometia sua primeira falta, ou seja, revelava seu amor ilícito pelo cavaleiro Lancelot, conforme um episódio do romance da Távola Redonda, mencionado indiretamente. Essa mesma história era aquela lida pelos amantes Paolo e Francesca, personagens do  Canto V do “Inferno” (v.127-138) (1).

Gustave  Doré

            O poeta, ao falar com seu ancestral (seu “pai”: padre mio- v. 16), diz que se rejubila (“Por tantos rios se enche de alegria/ a mente minha”: Per tanti rivi s’empie d’allegrezza/ la mente mia,/.../ – v.19-20), afirmando—“vós me elevais tanto que eu sou mais do que sou” (voi mi levate sì, ch’i’ son più ch’io- v.18). Essa alegria de Dante decorre não só de saber sobre sua ascendência mas também porque, sendo salvo, irá se juntar a Cacciaguida no Paraíso (2).  Em seguida  ele formula algumas perguntas ao seu trisavô, desejando saber quem foram seus antepassados; quando ele foi criança; “quão grande era então o redil de São João” (ditemi de l’ovil di San Giovanni/ quanto era allora, /.../- v. 25-26), i.e. qual era então o tamanho de Florença (cujo padroeiro, na era cristã, é S. João Batista), e quem, dentro desse rebanho, era “digno dos mais altos cargos” (/.../ degne di più alti scanni- v.27).

            A seguir, o poeta faz uma comparação sugestiva, referindo-se ao seu trisavô:

Come s’avviva a lo spirar d’i venti
carbone in fiamma, così vid’io quella
luce risplendere a’ miei blandimenti;     (v.28-30)

Como se aviva ao soprar dos ventos/ o carvão no fogo, assim vi eu aquela/ luz resplandecer às minhas palavras afetuosas; 

e passa a reproduzir o que Cacciaguida lhe respondeu, em sua linguagem antiga (“não com a nossa moderna fala”: ma non con questa moderna favela-  v.33), supostamente o florentino do século XII (3).  

            Nos versos seguintes, o ancestral diz, indiretamente, que nasceu em 1091. Cabe ao leitor deduzir isso, dividindo o produto de 580 com 687 pelos 365 dias do ano.  580, ou “quinhentos e cinquenta/ e trinta” (cinquecento cinquanta/ e trenta- v. 37-38), é o número de vezes que “este fogo” (v.38, Marte, o planeta em que estão) ficou em conjunção com a constelação de Leão (“veio este fogo/ a reinflamar-se sob a sua pata”: venne questo foco/ a rinfiammarsi sotto la sua pianta- v.38-39) desde o início da era cristã até o parto de Cacciaguida (v. 35). Para os florentinos tal início era contado desde o dia da Anunciação (“Desde aquele dia em que foi dito Ave”: Da quel dì che fu detto ‘Ave’ - v. 34) (25 de março), ou seja, era contado desde a concepção, não do nascimento de Cristo. Por outro lado, 687 é o número de dias que o planeta leva para fazer aquele movimento astronômico de revolução em torno da Terra. No período considerado, isso ocorreu 580 vezes (4).    

            Prosseguindo, Cacciaguida afirma que seus ancestrais e ele nasceram na parte mais antiga da cidade, onde “o corredor participante de vossos jogos anuais” (da quei che corre il vostro annüal gioco- v. 42) (corridas anuais de cavalo) primeiro entra, i.e. o distrito de Porta San Pietro (5).  Mas sobre seus maiores, “sobre quem foram e de onde vieram” (chi ei si fosser e onde venner quivi- v. 44), Cacciaguida não quer se estender, acha que “é mais apropriado calar do que falar” (più è tacer che ragionare onesto- v.45) pois, depreende-se, no Paraíso não seria apropriado jactar-se deles (6). 

            Quanto ao tamanho da população de Florença, Cacciaguida refere-se a “Todos os que podiam naquele tempo/ portar armas entre Marte e o Batista” (Tutti color ch’a quel tempo eran ivi/ da poter arme tra Marte e ‘l Batista- v. 46-47), i.e. à população masculina adulta existente entre os limites opostos da cidade, a estátua de Marte na ponte Vecchio e o Batistério de S. João Batista. Eles “eram um quinto dos que vivem lá agora” (erano il quinto di quei ch’or son vivi- v. 48). Mas não havia a mistura atual, com gente de Campi, Certaldo e Fegghine (v.50). A população “era pura até o último artesão” (pura vediesi ne l’ultimo artista- v. 51).  Seria melhor ter essa gente apenas como vizinha e não dentro da cidade. Eles deviam ter permanecido fora das suas fronteiras norte (Trespiano) e sul (Galluzzo) (v.53-54). Por isso, os florentinos têm que, agora, “suportar o mau cheiro/ do vilão Aguglione e daquele da Signa/ que já têm os olhos aguçados para a barataria!” (barataria significa ação de agente público em troca de suborno) ( /.../ e sostener lo puzzo/ del villan d’Aguglion, di quel da Signa/ che già per barattare ha l’occhio aguzzo!-  v.55-57). Baldo d’Aguglione e Fazio da Signa descendiam de famílias migradas para Florença, procedentes de localidades próximas. Esses inimigos políticos de Dante eram Guelfos Brancos renegados e se opunham ao seu retorno do exílio (7).     

Dante, pela voz de Cacciaguida, faz depois uma crítica à Igreja. Se ela tivesse tido um outro tipo de relacionamento com o Imperador,

Se la gente ch’al mondo più traligna
non fosse stata a Cesare noverca,
ma come madre a suo figlio benigna,     (v.58-60)

Se aqueles que no mundo mais se extraviam/ não tivessem sido madrasta de César/ mas mãe benigna a seu filho,

i.e., se a Igreja não disputasse o poder temporal com o Imperador, não teria causado a divisão e lutas civis entre os guelfos (partidários do Papa) e os  gibelinos (partidários do Imperador), levando as famílias que emigraram para Florença a optar por um partido ou outro e desestruturando a ordem social então existente, pois a Igreja estimulou o povo simples a voltar-se contra os senhores feudais partidários do Império, conforme Merlo (8). Essa gente indesejada teria permanecido em seus locais de origem. Não haveria hoje “um certo novo-florentino que se dedica ao comércio e câmbio” (ou agiotagem) (tal fatto è fiorentino e cambia e merca- v.61), uma vez que ele  teria permanecido em Simifonti. Os “Condes” Guidi estariam ainda no castelo de Montemurlo, os Cerchi (chefes dos Guelfos Brancos) em Acone e os Buondelmonti (que deram origem às primeiras lutas civis em Florença) em Valdigrieve (v.64-66).

            Segue-se a constatação do crescimento inconveniente de uma cidade (Florença) pelo afluxo migratório (tornando a população florentina menos “pura”, na opinião do poeta), e a comparação desse “mal” com o produzido no corpo humano pelo excesso de alimentação. Associa-se essa cidade maior a um touro e afirma-se que uma espada pode ser melhor que cinco (uma evocação da antiga Florença, cuja população, conforme o v.48, era um quinto da atual). Em suma, para Dante, pela voz de Cacciaguida, a Florença antiga era melhor que a atual:  

Sempre la confusion de le persone
principio fu del mal de la cittade,
come del vostro il cibo che s’appone;

e cieco toro più avaccio cade
che cieco agnello; e molte volte taglia
più e meglio una che le cinque spade.    (v. 67-72)

Sempre a mistura de gente diversa/ foi origem do mal de uma cidade/ como do vosso, o alimento demasiado;
um touro cego cai mais rápido/ que um cordeiro cego; e muitas vezes talha/ mais e melhor uma espada do que cinco.

            Cacciaguida então menciona quatro cidades italianas, duas já desaparecidas   (Luni e Urbisaglia- v. 73) e duas em decadência, que seguem o mesmo caminho daquelas (Chiusi e Sinigaglia-  v. 75). Por isso, não deve ser motivo de admiração que as grandes famílias também declinem, “já que mesmo as cidades chegam ao fim” (poscia che le cittadi permine hanno- v. 78). Afirma também:

Le vostre cose tutte hanno lor morte,
sì come voi; ma celasi in alcuna
che dura molto, e le vite son corte.    (v. 79-81)

Todas as vossas coisas têm a sua morte/ assim como vós; mas esconde-se em alguma/ que dura muito, e curtas são as vidas.

            Antes de arrolar as famílias florentinas notáveis então, que depois decairiam, Cacciaguida faz mais uma comparação: a da sorte variável de Florença (sua Fortuna, personalizada) com o vai e vem das marés,  influenciado pelos astros:

E come ‘l volger del ciel de la luna
cuopre e discuopre i liti sanza posa,
così fa di Fiorenza la Fortuna:

per che non dee parer mirabil cosa
ciò ch’ io dirò de li alti Fiorentini
onde è la fama nel tempo nascosa.    (v. 82-87)

E como o girar do Céu da Lua/ cobre e descobre as praias sem parar,/ assim faz a Fortuna com Florença:
pelo que não deve parecer coisa surpreendente/ isso que direi dos grandes florentinos,/ de quem a fama se perde no tempo. 


Salvador Dalì. 

            Na sequência, do v. 88 a 139, Cacciaguida passa a mencionar quais eram, então, as famílias ilustres de Florença. Inicia citando os Ughi, Catellini, Filippi, Greci, Ormanni e Alberichi, já em decadência em seu tempo. Cacciaguida também cita os dell’Arca, os della Sannella, Soldanieri, Ardinghi, Bostichi, “tão grandes quanto antigos” (/.../ così grandi come antichi- v. 91). E prossegue: “Perto da porta (Porta San Pietro) (9) que atualmente é sobrecarregada/ de nova felonia (traição) tão pesada/ que logo fará afundar o  barco” (ou seja, destruirá Florença) (Sovra la porta ch’ al presente carca/ di nova felonia di tanto peso/ che tosto fia iattura de la barca- v. 94-96) estavam os Ravignani (família já extinta no tempo de Dante, cujo chefe no tempo de Cacciaguida era Bellincione Berti) (10).  A “nova felonia” mencionada diz respeito à conduta dos Cerchi (referidos antes, no v. 65), aí residentes agora, líderes dos Guelfos Brancos, que falharam, por avareza e covardia, em defender a cidade contra o ataque dos Guelfos Negros (11).  Cita também os della Pressa, que “já sabiam como/ se deve governar” (Quel de la Pressa sapeva già conme/ regger si vuole, /.../- v.100-101) e afirma que “o Galigaio já tinha/ dourada guarda e pomo” (de espada) em sua casa (/.../ e avea Galigaio/ dorata in casa sua già l’elsa e ‘l pome- v. 101-102), símbolos da condição de cavaleiros (12).  

Cacciaguida continua citando outras famílias, a partir do v. 103. São  mencionados os Pigli (citados indiretamente, por uma referência heráldica), Sacchetti, Giuochi, Fifanti, Barucci, Galli “e aqueles que enrubescem pela fraude” (/.../ e quei ch’ arrossan per lo staio- v.105), i.e. os Chiaramontesi, identificados como se vê pelo delito praticado por um de seus membros, que fraudou na medida do sal (13). Também são mencionados os Calfucci e aqueles que “já eram elevados/ aos altos cargos” (/.../ già eran tratti/ a le curule /.../- v. 107-108), os Sizii e os Arrigucci.

São citados também indiretamente: 1) “esses que agora estão desfeitos/ pela sua soberba!” (/.../ quei che son disfatti/ per lor superbia! /.../- v.109-110), identificados como os Uberti (a mesma família de Farinata, personagem do canto X, do “Inferno”) (14);  2) os Lamberti, por uma outra referência heráldica: as “bolas douradas” (le palle de l’oro- v. 110) em campo azul-celeste de seu brasão); 3) os Visdomini e os Tosinghi, pois são eles os “pais” (ancestrais) daqueles que “sempre que vossa Igreja é vacante/ engordam, sentando-se em consistório” (/.../ sempre che la vostra chiesa vaca,/ si fanno grassi stando a consistoro- v. 113-114), i.e. enriquecem, quando fica vaga a sede episcopal de Florença, pois, encarregando-se de seus assuntos, apropriam-se dos recursos do bispado (15); 4) os Adimari, uma vez que é essa “A prepotente estirpe que se torna dragão/ atrás de quem foge e cordeiro/ a quem lhes mostra os dentes ou a bolsa” (L’oltracotata schiatta che s’indraca/ dietro a chi fugge, e a chi mostra ‘l dente/ o ver la borsa, com’ agnel si placa - v.115-117), identificada pela menção ao sogro de Ubertino Donato (Bellincion Berti), no v.120. O pai da esposa de Ubertino arranjou o casamento de outra filha sua com um membro da família Adimari, tornando-os aparentados de Ubertino, o que não agradou a este. A invectiva de Dante relaciona-se ao fato de que alguém dessa família (Boccaccino) obteve a posse dos bens do poeta, e por isso opunha-se ao seu chamado do exílio (16).  

Cacciaguida prossegue, citando ainda outras famílias, proeminentes em seu tempo mas decadentes (ou extintas) no tempo de Dante.  Cita as famílias gibelinas Caponsacco, Giuda e Infangato, hoje decadentes (v.121-123). Uma das portas da cidade tomava o nome della Pera, para a admiração do poeta (indicando que a família fora importante no passado). Em mais uma manifestação reveladora do reacionarismo de Dante (v. antes, crítica à Igreja porque se aliou ao povo que fez oposição aos senhores feudais, partidários do Imperador), ele critica que um membro daquelas famílias antigas se una hoje à plebe, famílias essas cujo brasão “porta a bela insígnia do grande senhor” (/.../ la bella insegna porta/ del gran barone /.../- v. 127-128) (ou seja, as armas de Hugo, o Grande, marquês da Toscana), que morreu em 1001 no dia da “festa de S. Tomás” (la festa di Tommaso- v. 129), 21 de dezembro, e que dele receberam a dignidade de cavaleiros (v. 130). O membro em questão que optou pelo lado do povo contra os poderosos, “aquele que adorna seu brasão com uma orla de ouro” (/.../ colui che la fascia col fregio- v. 132), é Giano della Bella, o principal autor dos “Ordinamenti di giustizia”, de 1293, que procurou enquadrar o comportamento dos nobres  (17). Os Gualterotti e os Importuni já viviam no Borgo (Santi Apostoli), que “seria mais tranquilo/ se dos novos vizinhos fosse privado” (/.../ saria Borgo più quïeto,/ se di novi vicin fosser digiuni- v. 134-135). Tais vizinhos eram os Buondelmonti (18). Essa foi “A casa que originou o vosso pranto” (La casa di che nacque il vostro fleto- v.136), o pranto dos florentinos, pois o rompimento do noivado de um de seus membros com uma jovem da família Amidei no último momento, causou o seu assassínio em 1216 pelos membros da família ultrajada. Foi a disputa entre essas duas famílias que originou as lutas civis em Florença. É por isso que o poeta se expressa nessa apóstrofe: “ó Buondelmonte, quanto mal fizeste/ ao fugir das bodas pelo conselho de outrem!” (o Buondelmonte, quanto mal fuggisti/ le nozze süe per li altrui conforti!- v. 140-141) (esta é identificada como Gualdrada Donati, que instigou o noivo ao rompimento para que casasse com uma de suas filhas). Melhor seria, diz ele, que Buondelmonte tivesse se afogado no rio Ema, “na primeira vez que vieste à cidade” (la prima volta ch’ a città venisti- v. 144) (19).  Como ele foi morto ao pé da estátua arruinada de Marte (a “pedra mutilada” citada abaixo) existente na ponte Vecchio, o poeta o considera como uma vitima sacrificada ao deus da guerra pela cidade de Florença (seu protetor no tempo dos romanos), quando o período de paz terminou, e iniciou o das lutas civis:

Ma conveniesi, a quella pietra scema
che guarda ‘l ponte, che Fiorenza fesse
vittima ne la sua pace postrema.    (v.145-147)

Mas convinha, àquela pedra mutilada/ que guarda a ponte, que Florença oferecesse/ uma vítima no final de sua paz.

            Cacciaguida conclui seu discurso (e o Canto) afirmando que com as famílias citadas, e outras, ele viu Florença tranquila, sem razão para chorar. E finaliza assim:

Con queste genti vid’io glorioso
e giusto il popol suo, tanto  che ‘l giglio
non era ad asta mai posto a ritroso,

né per divisïon fatto vermiglio.     (v. 151-154)

Com essa gente vi eu glorioso/ e justo o povo seu, tanto que o lírio/ não foi jamais posto ao contrário na haste/
nem feito vermelho pela dissenção. 

Em seu tempo, a bandeira de Florença, um lírio branco num campo vermelho, jamais foi arrastada e levada ao contrário no mastro, como sinal de humilhação, o que parecia ser uma prática da época adotada pelo vencedor.  Nem a cor do lírio mudara. Mas depois da derrota dos gibelinos em 1251 na guerra de Pistoia, quando os guelfos assumiram o poder, essa bandeira passou a ter suas cores invertidas: um lírio vermelho em campo branco (20). Os versos sugerem que a mudança de cor do lírio deve ser atribuída ao sangue derramado nessa luta fraticida... Note-se que tanto o primeiro quanto o último verso deste Canto referem-se ao sangue (20)


Amos Nattini 
NOTAS


(1) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy- Volume 3: Paradise”. Translated with an Introduction, Notes, and Commentary by Mark Musa. Penguin Books, 1986, p.194.  Cf também
MARTINS, Cristiano— Dante Alighieri- “A Divina Comédia”. Tradução, introdução e notas de Cristiano Martins. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, 1989, segundo volume, p. 415, nota.

(2) HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”: a verse translation by Robert & Jean Hollander. Introduction & Notes by Robert Hollander.  Doubleday, 2007, p.395.

(3) Id. ib, p. 396.

(4) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”. A verse translation by Allen Mandelbaum. Notes by Anthony Oldcorn and Daniel Feldman, with Giuseppe Di Scipio. Bantam Books, 1986- p.368.

(5) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.368.

(6) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy-- Volume 3: Paradise”, op cit, p.195. 

(7) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.368;  HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 398. 

(8) MERLO, Luis Martínes de – “Divina Comedia”- Dante Alighieri. Edición de Giorgio Petrocchi. Traducción y notas de Luis Martínes de Merlo. 14ª ed., Madrid: Cátedra, 2012.

(9) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.369.   

(10) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy-- Volume 3: Paradise”, op cit, p.198.

(11) HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 400.

(12) SAYERS, Dorothy L. and REYNOLDS, Barbara—“Dante: The Divine Comedy 3- Paradise”. Translated by Dorothy L. Sayers and Barbara Reynolds.  Penguin Books, 1971, p. 202.

(13) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.369.   

(14) Id. ib., p.369.

(15) CIARDI, John-  “The Divine Comedy”: The Inferno. The Purgatorio. The Paradiso”. Translated by John Ciardi.  New American Library, 2003, p.739.

(16) HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 401.

(17) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.370; HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 401..   

(18) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.370.

(19) Id. ib., p. 370.

(20) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.370; HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 403.
  
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Para ouvir o Canto XVI:

https://www.youtube.com/watch?v=VaPfkZlEBWA

(acessado em 16.09.20)  

 

 




quarta-feira, 9 de maio de 2018

CANTO XV


PARAÍSO 


Canto XV


            Nos versos iniciais do Canto, o poeta refere-se ao silêncio imposto “àquela doce lira” (a quella dolce lira- v.4) -- metáfora do conjunto dos bem-aventurados que cantavam -- pela “benigna vontade” (Benigna volontade- v.1) dessas almas, expressão do amor pelo qual são tomadas. Elas assim interrompem seu canto  -- ou aquietam “as santas cordas” (le sante corde- v.5) dessa lira, afinadas pela “mão direita do Céu” (destra del cielo- v. 6), i.e. a mão de Deus -- e dedicam amorosamente sua atenção ao recém-chegado, dispondo-se a responder às suas indagações.    

Come saranno a’ giusti preghi sorde
quelle sustanze che, per darmi voglia
ch’ io le pregassi, a tacer fur concorde?     (v. 7-9)

Como seriam surdas aos justos rogos/ aquelas almas que, para me incentivar/ a lhes rogar, foram concordes em calar-se? 

            Segue-se a comparação de um “fogo repentino” (sùbito foco- v.14), que passa, às vezes, “pelos céus tranquilos e puros” (/.../ per li seren tranquilli e puri- v. 13) -- ou seja, uma estrela cadente (1) -- com o movimento de uma alma, das inúmeras formadoras da cruz luminosa que ali existe (cf. Canto antecedente). Ela correu do ramo direito para o inferior dessa mesma cruz, sem sair dela. Como diz o poeta: “não se afastou a gema do corpo da cruz/ mas correu pelo braço inferior/ como fogo por trás do alabastro” (né si partì la gemma dal suo nastro,/ ma per la lista radïal trascorse,/ che parve foco dietro ad alabastro-  v. 22-24), de modo a ficar mais próxima de Dante. Ela, por trás do alabastro (uma pedra calcária transparente), era uma luz intensa no meio de uma luz difusa, nas palavras do comentador  (2). 

            Referindo-se indiretamente aos protagonistas da “Eneida” de Virgílio -- “a nossa maior musa” (nostra maggior musa- v. 26) -- a afeição dessa alma que aqui se singulariza é comparada àquela de Anquises ao reconhecer seu filho (Eneas) no mundo dos mortos, ou nos Campos Elíseos (esse sentimento  assim tem caráter paternal e é compatível com a alma em questão, identificada só no v. 135 como Cacciaguida, trisavô de Dante).  É essa alma que se manifesta a seguir, em latim, no terceto formado pelos vv. 28-30, fazendo a Dante esta pergunta retórica--  Ó sangue meu, ó graça profusa de Deus, a quem como a ti foi aberta duas vezes a porta do Céu?”, de acordo com a tradução que consta em V. G. Moura (3).   A Dante foi dada a graça de visitar o Céu. A quem mais foi dada essa graça?  A São Paulo, conforme a Bíblia (2 Cor. 12:4). Como a porta do Céu se abrirá duas vezes para ele, entende-se que Dante entrará de novo no Paraíso (após sua morte), o que significa que alcançará a salvação eterna... (4).   

Salvador Dalí. 

            Dante ouve essas palavras daquele espírito (do mesmo sangue dele) e depois volta sua vista para Beatriz, admirando-se tanto de um lado como de outro, uma vez que ela também o surpreende, “pois dentro de seus olhos ardia um sorriso” (ché dentro a li occhi suoi ardeva un riso- v.34) tal, que ele pensa tocar com os seus o máximo da glória e da felicidade, ou “o fundo da minha graça e do meu paraíso” (/.../ lo fondo/ de la mia gloria e del mio paradiso- v.35-36). 

Inicialmente, Dante não entende as palavras que o espírito pronuncia após aquelas expressas em latim.  Mas depois que ele afrouxou “o arco de ardente afeto” ( /.../ l’arco de l’ardente affetto- v. 43) -- uma metáfora adicional envolvendo o arco, no caso associada à mente do seu parente que goza da bem-aventurança --  e  o falar desceu/ ao nível do nosso intelecto” (/.../ ‘l parlar discese/ inver’ lo segno del nostro intelletto- v. 44-45), i.e. “ao nível dos mortais” (al segno d’ i mortal /.../- v. 42), passa a compreendê-las. A princípio, o espírito louva Deus (o “Trino e Uno”: trino e uno- v. 47) por ser “tão cortês com minha semente” (che nel mio seme se’ tanto cortese- v. 48), vale dizer, por conceder essa graça ao seu descendente. Depois, chamando Dante de “filho” (figlio- v. 52), afirma que ele atende com este encontro -- possibilitado por Beatriz, que lhe “deu asas para o alto voo” (ch’ a l’alto volo ti vestì le piume- v. 54) -- a um antigo desejo do ancestral, “derivado da leitura do grande volume/ do qual não muda jamais o branco e o preto” (tratto leggendo del magno volume/ du’ non si muta mai bianco né bruno- v. 50-51), ou seja, derivado da leitura do livro que é, em metáfora, a mente de Deus, conhecedora do passado, presente e futuro, livro esse que é lido pelos bem-aventurados, cujo preto das letras e o branco das páginas não são alterados (5). 

            O espírito do ancestral afirma que Dante está consciente de que ele conhece seu pensamento porque lhe vem “daquele que é o Primeiro” (da quel ch’è primo,/.../- v.56), ou seja, Deus, “assim como deriva/ de um, se for conhecido, o  cinco e o seis” (/.../ così come raia/ da l’un, se si conosce, il cinque e ‘l sei- v.56-57), uma imagem poética inspirada, como se vê, numa relação matemática. Assim como a unidade é a fonte de todos os números, a fonte dos pensamentos é a mente de Deus (6) (os algarismos 5 e 6, citados logo após o v.56, não devem ser apenas uma coincidência. Acrescentam uma sugestão enigmática, sempre compatível com os sacros mistérios). Mais adiante, surge outra metáfora associada ao Ser Supremo. Ele é o “espelho/ que antes de pensares o pensamento mostra” (/.../ lo speglio/ in che, prima che pensi, il pensier pandi;- v.62-63) onde miram os bem-aventurados “pequenos e grandes desta vida”, ou do Paraíso (/.../ i minori e ’ grandi/ di questa vita /.../- v. 61-62).

Assim, por estar ciente de que o ancestral já sabe o que Dante lhe perguntará, este não lhe pergunta nada.  Mas para que seu amor “se manifeste melhor” (/.../ s’adempia meglio- v. 66), respondendo às suas questões, ele quer ouvir a voz de seu descendente formulando-as. Dante então volta-se para Beatriz, que ouve suas palavras “antes que eu falasse,” (pria ch’ io parlassi, /.../- v.71) (ela, sendo bem-aventurada, também lê na mente divina) e lhe dá um sorriso encorajador, pois, como diz o poeta, “e seu sorriso foi um sinal/ que fez crescer as asas do meu querer(/.../ e arrisemi un cenno/ che fece crescer l’ ali al voler mio-  v. 71-72). 

Dante, então, dirige-se diretamente ao espírito, para agradecer sua benevolência e perguntar seu nome. De início, destaca a diferença entre “vós” (voi- v.75) -- os bem-aventurados moradores permanentes do Paraíso, em quem “O afeto e o juízo(/.../ L’affetto e ‘l senno,- v.73) (o sentimento e a razão) são divididos em proporções iguais pela “Igualdade Primeira” (la prima equalità- v.74) (Deus) -- e os “mortais” (mortali- v.79), como ele próprio, em quem “vontade e argumento” (voglia e argomento- v. 79) (correspondentes ao “afeto e o juízo” do v. 73) “são asas de plumagem desigual” (diversamente son pennuti in ali- v. 81), ou seja, são de proporções diferentes. Por isso, ele agradece “somente com o coração à acolhida paterna” (/.../ e però non ringrazio / se non col core a la paterna festa.- v. 83-84), e não com palavras. E conclui assim sua fala, onde “gema” refere-se ao seu ancestral (como ocorreu antes, cf. v. 22) e “joia preciosa” à cruz luminosa formada pelos espíritos bem-aventurados do céu de Marte: 

Ben supplico io a te, vivo topazio
che questa gioia prezïosa ingemmi,
perché mi facci del tuo nome sazio.     (v. 85-87)

Bem suplico a ti, vivo topázio,/ gema engastada nesta joia preciosa,/ que satisfaça meu desejo de saber teu nome. 

            Segundo Mark Musa, topázio é uma gema amarela que se torna vermelha (a cor do amor) quando exposta a alta temperatura (7).

            A partir do v. 88, e até o fim do Canto, é o ancestral quem fala.  Inicia afirmando a Dante seu regozijo por estar com ele pois “eu fui a tua raiz” (/.../ io fui la tua radice- v.89). Depois, diz que “Aquele de quem deriva/ teu sobrenome e que por mais de cem anos/ circula na primeira cornija do monte” ( /.../ Quel da cui si dice/ tua cognazione  e che cent’anni e piùe/ girato ha ‘l monte in la prima cornice,- v.91-93) é seu filho e bisavô de Dante (o ancestral que fala é então o seu trisavô). Por esses versos, deduz-se que o seu filho,  cujo nome era Alighiero (8), está na cornija dos soberbos no monte do Purgatório. É por isso que o pai dele pede a Dante que “sua longa pena/ tu a abrevies com boas ações” (/.../ che la lunga fatica/ tu li raccorci con l’opere tue- v.95-96), ou orações, conforme a crença católica.   

            A seguir, o trisavô de Dante fala, em termos elogiosos, da Florença de seu tempo, que é o século XII. Seu elogio é uma crítica indireta à Florença da época em que transcorre a ação do poema (1300).  Florença então “estava em paz, sóbria e pudica” (si stava in pace, sobria e pudica- v. 99) (as dissenções e desavenças aí só começariam depois de 1177) (9). Não havia preocupação com o luxo do vestuário. As mulheres não usavam colares nem coroas, nem “saias bordadas” (gonne contigiate- v. 101), “que atraíssem mais o olhar do que a pessoa” (che fosse a veder più che la persona- v. 102). Nem havia ainda o costume das moças se casarem muito jovens ou de se exigirem altos dotes no casamento, o que é criticado nestes versos: 

Non faceva, nascendo, ancor paura
la figlia al padre, ché  ‘l tempo e la dote
non fuggien quinci e quindi la misura.      (v. 103-105)

Não fazia, nascendo, ainda medo/ a filha ao pai, pois a idade e o dote/ não excediam, de um lado e de outro, a medida.          

            O trisavô também lembra que “Não havia casas de família vazias” (Non avea case di famiglia vòte;- v.106) (por causa das características de sua construção, destinadas mais para ostentar do que para atender às necessidades da família) (10), “nem chegara ali ainda Sardanapalo/ para mostrar o que se pode fazer numa alcova” (non v’era giunto ancor Sardanapalo/ a mostrar ciò che ‘n camera si puote.- v.107-108). Sardanapalo foi um rei da Assíria (667-626 a.C.), que se destacou pelo luxo, luxúria e efeminação; viveu num palácio mas não era visto pelos seus serviçais, encerrando-se em seu quarto (11).  

Depois, os versos, por meio de uma  sinédoque -- em que duas cidades são referidas pelos montes nelas existentes -- afirmam que nesse tempo, i.e. no tempo do trisavô, Uccelatoio (por Florença) ainda não havia vencido Montemalo (por Roma), como atualmente, i.e no tempo de Dante, dado o  esplendor urbano florentino. Porém, assim como Florença vai superar Roma nesse esplendor, também a superará no ritmo de sua decadência. 

            A seguir, o ancestral menciona alguns casais de famílias florentinas famosas que ele conhece, elogiando implicitamente a simplicidade do vestuário dos homens e da vida de suas esposas, pois a mulher de Bellincion Berti vem do espelho “sem o rosto pintado” (/.../ sanza ‘l viso dipinto- v.114) e as esposas dei Nerli e del Vecchio estão contentes “de fiar com a roca” (al fuso e al pennecchio- v. 117).  

            O trisavô chama essas esposas de “afortunadas” (Oh fortunate!- v.118) pois “cada uma estava segura/ do local de sua sepultura” (/.../ ciascuna era certa/ de la sua sepultura,/ .../- v. 118-119), vale dizer, elas não eram obrigadas a acompanhar seus maridos no exílio e morrer em terra estrangeira, como na conturbada  Florença do tempo de Dante. E nenhuma então “era abandonada no leito pela França” (era per Francia nel letto diserta- v.120), para onde os interesses comerciais levavam os maridos.   

            Assim, nessa idílica Florença,

L’una vegghiava a studio de la culla,
e, consolando, usava l’idïoma
che prima i padri e le madri trastulla;

l’altra, traendo a la rocca la chioma,
favoleggiava con la sua famiglia
d’i Troiani, di Fiesole e di Roma.      (v. 121-126)

Uma velava com amor o berço/ e, consolando, usava a linguagem (infantil)/ que primeiro diverte pais e irmãos;
outra, puxando o fio da roca,/ contava à sua família as lendas/ dos troianos, de Fiesole e de Roma.  

(os troianos, segundo a lenda, fundaram Roma, enquanto os romanos fundaram Fiesole e depois Florença) (12). 

            Segundo o trisavô do poeta, Cianghella (v. 128), uma dama que se jactava de sua vida de prazeres, e Lapo Salterello, um político desonesto, ambos do tempo de Dante, causariam então tanta admiração naquela época “quanto agora Cincinnatus e Cornelia” (v.129), duas figuras virtuosas da história romana, aquele dirigente da República e esta, a mãe dos  tribunos Tiberius e Caius Gracchus (13).    

            Nos versos finais do Canto, o trisavô apresenta um resumo de sua própria vida. Ele foi entregue por Maria (“invocada em altos gritos”: chiamata in alte grida- v. 133, no parto, se deduz) a essa comunidade, esse “doce abrigo” (dolce ostello- v.132), ou seja a Florença, sua cidade natal, que é qualificada aqui como “tranquila” (riposato- v.130), de “belo viver/ de cidadãos” (bello/ viver di cittadini- v.130-131) e “fiel” (fida- v.131). Aí foi batizado e recebeu seu nome, Cacciaguida, que enfim declina (v. 135). Teve dois irmãos, Moronto e Eliseu, ou apenas um, Moronto, que guardou o nome de família, Eliseu ou Elisei (v.136), pois os comentaristas não estão de acordo nessa questão. Da mulher dele, Cacciaguida, que pertencia à família Alighieri, “derivou teu sobrenome” (e quindi il sopranome tuo si feo- v. 138), através do nome de um dos filhos do casal, Alighiero. Seguiu o imperador Conrado em sua cruzada contra os muçulmanos, que então ocupavam a Terra Santa. E lá morreu, conquistando por isso o Paraíso:

Quivi fu’ io da quella gente turpa
disviluppato dal mondo fallace,
lo cui amor molt’ anime deturpa;

e venni dal martiro a questa pace.     (v.145-148)

Lá, por aquela gente torpe,/ fui libertado do mundo falaz,/ cujo amor corrompe muitas almas;
e vim pelo martírio a esta paz

            Segundo um comentador, Cacciaguida morreu durante a desastrosa Segunda Cruzada (1147-1149), da qual participou Conrado III da Suábia, imperador de 1138 a 1152 (14).  

NOTAS


(1) SAYERS, Dorothy L. and REYNOLDS, Barbara—“Dante: The Divine Comedy 3- Paradise”. Translated by Dorothy L. Sayers and Barbara Reynolds.  Penguin Books, 1971, p. 191. 

(2) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy- Volume 3: Paradise”. Translated with an Introduction, Notes, and Commentary by Mark Musa. Penguin Books, 1986, p. 183.

(3) MOURA, Vasco Graça-  “Dante Alighieri- A Divina Comédia”- Introdução, tradução e notas de Vasco Graça Moura. S.Paulo: Landmark, 2005, p. 721, nota  

(4) ZOLI, M. e ZANOBINI, F.- “La Divina Commedia: a cura di M.Zoli e F.Zanobini. Inferno. Purgatorio. Paradiso”. Bulgarini, 2013, p. 860;  MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”. A verse translation by Allen Mandelbaum. Notes by Anthony Oldcorn and Daniel Feldman, with Giuseppe Di Scipio. Bantam Books, 1986- p.364. 

(5) HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”: a verse translation by Robert & Jean Hollander. Introduction & Notes by Robert Hollander.  Doubleday, 2007, p.372. 

(6) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”. A verse translation by Allen Mandelbaum. Notes by Anthony Oldcorn and Daniel Feldman, with Giuseppe Di Scipio. Bantam Books, 1986- p.364.

(7) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy-- Volume 3: Paradise”, op cit, p.185. 

(8) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 364. 

(9) HOLLANDER, Robert & Jean- “Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 375. 

(10) Id. ib., p.375.

(11) Id. ib., p.375. Cf também MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 365.   

(12) MUSA, Mark-- “Dante- The Divine Comedy-- Volume 3: Paradise”, op cit, p. 187. 

(13) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p. 365-366. Cf também SAYERS, Dorothy L. and REYNOLDS, Barbara—“Dante: The Divine Comedy 3- Paradise”, op cit, p.368 e 369.

(14) MANDELBAUM, Allen- “The Divine Comedy of Dante Alighieri- Paradiso”, op cit, p.366.

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Para ouvir o Canto XV:

https://www.youtube.com/watch?v=3cfbJqoy7_8&t=127s

(acessado em 15.09.20)




Amos Nattini.